Para que um encontro mundial de jovens?

*Pe. Anderson Marçal 
Fonte: Canção Nova
“Caros jovens, a Igreja conta com vocês! A vossa presença a renova, rejuvenesce e a faz deslanchar. Por isto, as Jornadas Mundiais da Juventude são uma graça não apenas para vocês, mas para todo o povo de Deus. A Igreja da Espanha está se preparando ativamente para acolher cada um de vocês e viver em comunhão a feliz experiência da fé.”
É fazendo memória a essas palavras de Bento XVI aos jovens do mundo inteiro que nesses últimos dias nos preparamos para viver mais esta Jornada Mundial da Juventude, em Madri, que começou nesta terça-feira, 16, e segue até domingo, 21, com o tema “Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé” (Cl 2,7).
Neste ano, o próprio tema nos permite exaltar a presença central da figura de Jesus na vivência de fé de cada jovem cristão. De fato, somente fixando o olhar sobre Jesus e seguindo seus passos se encontra a inspiração e a força para se fazer testemunha da própria fé na complexidade da nossa sociedade contemporânea.
Mas, por que um encontro mundial de jovens? Qual o sentido de toda essa preparação? Existe realmente algum resultado nisso? Desde 1984, quando foi realizada em Roma a primeira Jornada Mundial da Juventude, convocada pelo então Papa João Paulo II, até a última, em 2008, com Bento XVI, esses encontros são marcados por profundos encontros de fé viva vivenciada pelos jovens do mundo inteiro, que se reúnem em torno do sucessor de São Pedro para um diálogo de fé entendido e falado na linguagem jovem.
Jovens que brilham não com artefatos superficiais que passam mas, por estarem em Cristo, são luz do mundo. Essa é a intenção de cada JMJ: “Recarregar as lâmpadas de cada jovem, para que cada jovem iluminado por Cristo ilumine o mundo”.
Jovem evangeliza outro jovem porque fala a mesma língua, gosta de desafios, se sente motivado a viver perigosamente. Um jovem que vive uma experiência de ver milhares de outros jovens profetizando a mesma fé terá a coragem de dizer que no mundo não se está sozinho, pois milhares de outros jovens vivem as mesmas coisas que ele, de maneira diferente, por ter Cristo nos seus corações e nas suas escolhas.
Qual outro sentido teria um encontro mundial de jovens, se não fosse o de levar esses jovens a um encontro com Cristo e a um encontro com outros jovens? Esses encontros não teriam sentido se não desafiassem cada jovem – do mundo globalizado, do mundo cibernético, do mundo das modas – a viver a santidade de cada dia. A santidade não é algo que ficou na antiguidade da vida da Igreja, nem mesmo apenas para padres ou freiras. A santidade é uma vocação que todos são convidados a viver na realidade concreta do dia a dia, seja na escola, faculdade, grupo de amigos, trabalho, em casa, na família, com jovens que não conhecem a Deus.
A santidade é para todos, é possível a todos, é compromisso de todos. E esse compromisso só terá sentido se, antes, cada um de nós for interpelado por um Amor tão grande que é capaz de reunir milhares e milhares de jovens em algum lugar do mundo (este ano em Madri) para dizer pessoalmente a cada um: é possível viver hoje a santidade. Hoje, porque o amanhã a Deus pertence e o ontem já passou.
Este é o sentido de termos nos preparado e preparado bem para vivermos de perto ou de longe a Jornada Mundial da Juventude. “Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé”. Deus te abençoe e te faça viver a cada dia o apelo de Deus à santidade.
*Pe. Anderson Marçal está em Madri, ajudando na cobertura da JMJ para o site www.cantonuovo.eu. Atualmente mora na casa de missão da Canção Nova em Roma.

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