São Sebastião: ser cristão e falar de Cristo

Por João Antônio Johas – site A12

É impressionante a devoção que um soldado do império romano do século III pode ter ainda hoje, no século XXI, do outro lado do Atlântico. São Sebastião é o padroeiro de várias cidades em todo o território brasileiro e muitos fatos importantes parecem ter acontecido no dia 20 de janeiro, em que se celebra esse Santo.

Entre as cidades que adotaram o santo como padroeiro, a mais famosa é, com certeza, São Sebastião do Rio de Janeiro, a “Cidade Maravilhosa”. Mas também vale a pena lembrar da maior ilha da costa brasileira, a Ilhabela, no litoral paulista, que foi avistada no dia 20 de Janeiro de 1502 e, portanto, batizada com o nome do santo do dia.

São Sebastião era de Narbonne, mas sua família é de Milão. Na época em que ele viveu, os cristãos estavam sendo duramente perseguidos pelo imperador romano, e o seu desejo de ajudar esses irmãos na fé foi o que levou ao serviço militar. No exército, era um soldado formidável e, por baixo dos paramentos militares, nunca deixou de lado a sua identidade de cristão, vivendo uma autêntica vida cristã. Várias vezes alentou os perseguidos pela fé a não fraquejarem nos últimos momentos.

Quando chegou a sua hora, também não deixou de lado a sua fé, mantendo-a firmemente, apesar das ameaças do imperador. Um apóstata o denunciara como cristão e o Imperador ficou triste, porque o considerava um ótimo soldado. Mas se ele quisesse continuar sendo soldado, deveria deixar a fé em Jesus. Como não o fez, o Imperador o condenou a ser morto a flechadas.

A imagem de São Sebastião mais comum é uma em que ele se encontra amarrado a um tronco de madeira, traspassado por algumas flechas, com aparência de morto. Talvez por isso, muitas pessoas ainda associem que ele morreu nesse episódio, mas esse não é o final da história. Depois de alvejado, alguns amigos perceberam que ele ainda vivia e o levaram a uma senhora muito cristã, que o curou.

Curado, São Sebastião voltou a se apresentar ao Imperador para denunciar suas práticas de perseguir os cristãos. O Imperador, provavelmente confuso porque o tinha por morto, mandou que, dessa vez, o matassem de fato. O Santo agora fora açoitado até a morte, conseguindo a coroa do martírio, que tanto admirava.

Sua vida pode fazer-nos pensar em como podemos ser cristãos em meio a uma sociedade que não compreende o cristianismo. Se, na nossa realidade brasileira, podemos dizer que o martírio de sangue seja algo improvável (não excluo a possibilidade), ser cristão de fato implica em ser um sinal de contradição, que é muitas vezes um martírio espiritual, que precisamos viver cotidianamente. Nesse contexto, estamos sempre frente à escolha de sermos fiéis à fé que professamos, ou de “apostatar” dessa fé, para fazer a nossa vida um pouco mais fácil.

E ser cristão não significa apenas falar de Jesus para os outros. O testemunho que somos chamados a dar é, antes de tudo, um testemunho de vida cristã. São Sebastião era cristão em suas atitudes para com os demais, mesmo que não o pudesse ser abertamente, por causa da perseguição. Nós também precisamos viver uma vida cristã, que questione aqueles que ainda buscam o sentido de suas vidas. E quando chegar a hora de falar propriamente, também devemos seguir o exemplo de São Sebastião e sermos ardorosos anunciadores do Evangelho de Jesus.

Que São Sebastião interceda por cada um de nós, para que vivamos uma vida cristã cada vez mais intensa, mesmo em meio a um mundo que não nos compreende. E que nos ajude também a dar testemunho da nossa fé em todo momento.

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