Por que pronunciamos palavras gregas na Missa

Dentro do Rito Romano, o latim é a língua oficial da Missa, que normalmente é traduzida para a língua vernácula. No entanto, uma frase dentro da liturgia se destaca, pois as palavras não estão em latim, mas grego.

Durante o rito penitencial (no início da missa), o sacerdote às vezes diz ou o cantor entoa o “Kyrie eleison” (“Senhor, tende piedade”). Mas por que essas palavras gregas nunca foram traduzidas para o latim?

De acordo com a Enciclopédia Católica, “a liturgia em Roma, durante algum tempo, era rezada em grego (até o fim do século II, aparentemente)”. A este respeito, as palavras gregas lembram nossas origens. O Novo Testamento foi originalmente escrito em grego e essa foi a língua que os apóstolos usavam para evangelizar judeus e gentios. Na verdade, a Divina Liturgia das Igrejas Orientais, que mantém as formas antigas, incorpora a frase “Kyrie eleison” (ou o seu equivalente em outras línguas, como o esloveno), em muitos lugares ao longo da Missa.

Alguns estudiosos, no entanto, acreditam que as palavras “Kyrie eleison” não foram um remanescente do grego, mas adicionadas séculos mais tarde ao Rito Romano. Isso significa que a inclusão dessa expressão Missa em latim foi deliberada e significativa.

Acredita-se que a principal razão pela qual a frase “Kyrie eleison” não foi traduzida para o latim é que as palavras perderiam seu significado original. O livro Orthodox Worship (“Adoração Ortodoxa”) descreve o verdadeiro significado da frase:

“A palavra piedade em inglês (mercy) é a tradução da palavra grega ‘eleos’. Essa palavra tem a mesma raiz da palavra grega para o óleo, ou mais precisamente, óleo de oliva – uma substância que era amplamente utilizada como agente calmante para hematomas e pequenas feridas […] A palavra hebraica que também é traduzida como ‘eleos’ e piedade é ‘hesed’, cujo significado é ‘amor firme’. As palavras gregas para ‘Senhor, tem piedade’ são ‘Kyrie, eleison’, que significam: ‘Senhor, acalma-me, consola-me, tira minha dor, mostra-me o seu amor firme’. Assim, a piedade não se refere tanto à justiça ou à absolvição, mas à infinita bondade amorosa de Deus e sua compaixão por seus filhos sofredores! É nesse sentido que rezamos ‘Senhor, tende piedade’, com grande frequência ao longo da Divina Liturgia”.

À luz desta explicação, a frase ganha vida e destaca a beleza e a profundidade da misericórdia de Deus. Isso mostra um Deus amoroso que quer amarrar nossas feridas, já que ele é o Médico Divino. Ao invés de ficarmos na frente de um tribunal no início da Missa, pedindo a piedade de um poderoso juiz, estamos cara a cara com um Deus compassivo, que está pronto para nos segurar quando caímos.

Enfim, embora pareça estranho pronunciar palavras gregas na Missa, temos que lembrar que a Igreja escolheu essas palavras há séculos especificamente por seu significado profundo e poderoso.

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