Mês da Sagrada Escritura

Dom Paulo Francisco Machado
Bispo de Uberlândia

Neste mês somos convidados pela mãe Igreja a buscar a sabedoria que vem do alto, mas essa não pode ser alcançada pela pessoa humana se o próprio Deus não se aproxima de nós, se não vem ao nosso encontro cheio de amor, de bondade. Recordamo-nos aqui das solenes palavras do Concílio Vaticano: Depois de ter falado muitas vezes e de muitos modos pelos profetas, falou-nos Deus nestes nossos dias, que são os últimos, através de Seu Filho (Hb 1, 1-2). Com efeito, enviou o Seu Filho, isto é, o Verbo eterno, que ilumina todos os homens, para habitar entre os homens e manifestar-lhes a vida íntima de Deus (cfr Jo 1, 1-18). Jesus Cristo, Verbo feito carne, enviado “como homem para os homens”, “fala, portanto, as palavras de Deus” (Jo 3,34) e consuma a obra de salvação que o Pai lhe mandou realizar (cfr Jo 5,36; 17,4). 
Portanto, o que Deus fez foi muito mais do que nos enviar uma amorosa carta, repleta de ternura. Ele não abandona a criatura, mas assume integralmente a nossa natureza, mostra-nos sua face e enche os nossos ouvidos das divinas palavras de Vida Eterna.
Será preciso ter sempre em mente, que nós, cristãos não somos o “povo do livro”, mas seguidores, discípulos de Jesus Cristo. Ora, só é autêntico discípulo, quem ouve e atende a voz do Mestre. Foi a Igreja quem guardou os ensinamentos de seu Mestre e, hoje, os transmite a nós. Ela toma a Palavra de Deus e a proclama em cada celebração dos sacramentos e sacramentais. Parodiando o sacerdote e mártir africano Saturnino, morto em 304, sob a perseguição de Dioclesiano, podemos afirmar: “sem a Palavra de Deus (Bíblia) não podemos viver”. 
No mês da Sagrada Escritura cabe-nos ter mair consciência da importância da Palavra de Deus para toda a vida cristã, não só ao ouvi-la com grande atenção e cuidado nas celebrações, mas também, no nosso dia a dia, fazendo da Mensagem Divina as delícias do nosso coração, pois conforme afirmava Orígenes “não se pode ser discípulo sem recostar nossa cabeça no peito de Jesus”, isto é, sem ouvir as amorosas batidas de seu Divino Coração que nos fala “palavras de Vida Eterna”.
Meu irmão, minha irmã como está a sua Bíblia: empoeirada num canto de estante, enfeitando o ambiente, mas não a sua vida? Ou, ensebada pelos seus dedos, marcada em algumas passagens, lida, relida, meditada, com as manchas de suas lágrimas, e finalmente espelhando seus sorrisos e alegrias?
Toma, pois, o Livro e lê!

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