Se ama tanto o filho, não despreze a mãe

Nossa Senhora é exemplo de fé e testemunho para qualquer cristão

Adenilton Turquete
Site Aleteia

Este é um tópico que estou preparando há quase um ano, rascunho aqui, acolá, ideias que vêm e que vão. Finalmente chegou o momento de postar sobre este assunto tão importante para mim, tanto pessoalmente, quanto no que tange à compreensão da religiosidade.
Desde o primeiro momento em que comecei a participar de uma igreja evangélica percebi a ausência de alguém que sempre fez parte da minha vida, especialmente na infância. Na igreja evangélica a figura de Nossa Senhora passa totalmente desapercebida. Raramente é mencionada em uma pregação, muitos menos é tema dos famosos congressos do “Círculo de Oração”.
Aos 9 anos de idade minha avó me alertou sobre isso quando falei a ela que que tinha vontade de ir a uma igreja protestante: – lá elas não amam Nossa Senhora com nós amamos… disse a Dona Eva.
É interessante perceber que um personagem central da Bíblia passe desapercebido enquanto outras mulheres como a Rainha Ester, Rute, Débora e Sarah são reverenciadas e tidas como heroínas da fé.
É claro que isso se deve ao pensamento anti-catolicismo implantado no desenvolvimento das igrejas evangélicas/protestantes no Brasil. A ênfase em combater a idolatria mariana, ou marianismo como alguns definem, colocou a figura de Maria em um isolamento no meio evangélico.
Precisamos procurar entender que Maria é fundamental para a existência do Evangelho e da Igreja. Maria não é coadjuvante na História da Igreja, ela é e sempre será uma das protagonistas, sempre terá uma posição de honra na galeria dos heróis da fé. 
Ela é exemplo de fé e testemunho para qualquer cristão. Modelo de fidelidade e de servo. Maria é uma mulher singular, especial e única na humanidade. Vamos analisar biblicamente o Magnificat:
No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria. 
Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo.
Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus.
Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus.
Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.
Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem?
Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus.
Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, porque a Deus nenhuma coisa é impossível.
Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela.

Cheia de Graça – A palavra Graça está associada à figura de Nossa Senhora de uma forma muito especial, curiosamente que o advento de Cristo trouxe a chamada Dispensação da Graça, que substitui a Dispensação da Lei. A lei diz “olho por olho, dente por dente”, a Graça diz compaixão, perdão e misericórdia. A Graça vem por intermédio de Cristo, não por Maria, mas a vinda da Graça se dá por meio de Maria. Ela encontrou Graça diante de Deus, ela entre todas as mulheres da Terra.

Descerá sobre ti o Espírito Santo – A força motora da Igreja é o Espírito Santo, em Atos dos Apóstolos capítulo 2 vemos a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e discípulos de Nosso Senhor. Maria estava entre eles. É perceptível a distinção daquelas pessoas antes e o depois de serem cheias do Espírito Santo. A transformação da motivação e da atitude dos discípulos é evidente, basta olhar para Pedro, que se tornou um orador eloquente e discursou para mais de 3.000 pessoas convertendo todos ao Caminho da Graça.

Mãe de Deus – Algum tempo atrás debati com alguns pastores sobre acerca de ser correto ou não chamarmos Maria de Mãe de Deus. Embora os pais do protestantismo reverenciassem Maria de forma singular, a tradição desenvolvida pelas igrejas evangélicas rejeita terminantemente esta afirmação. Meu argumento se baseou nisso: Jesus não é meio homem e meio Deus, ele é 100% homem e 100% Deus, portanto não é possível distinguir uma coisa da outra. Ele é Deus que se faz carne para conviver conosco.

Eis aqui a Serva do Senhor – Esta é uma grande lição de humildade, ao saber que geraria a Deus em seu ventre Maria não reivindicou títulos e reconhecimento humano, mas fez-se a menor de todas as servas de Deus, permitindo que a vontade dEle fosse feita.
Um servo não tem vontade própria, nem liberdade de ir e vir, naquele momento aquela jovem renunciou a seu futuro, seus projetos e sonhos para viver integralmente no centro dos planos de Deus. Não existe exemplo maior de entrega e dedicação, ela doou a sua vida para este fim. Assim como Nosso Senhor doou a sua vida pela humanidade ao vir a este mundo. 
Fonte: Compartilhando a Graça

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